O Departamento de Filosofia da PUC-Rio convida a todas e todos para a próxima Oficina Leme (em alternância com o Seminário LEME): “Uma resposta ao argumento lógico em favor do fatalismo”, que será realizada por Renata Augusto.
Data e horário: 10 de setembro de 2026, quinta-feira, às 15h
Local: Sala L538, 5º andar do prédio Leme, PUC-Rio
Resumo: Nesta apresentação, é oferecida uma resposta ao argumento lógico em favor do fatalismo proposto recentemente por Lampert e Merlussi (2026, submetido). Em sua proposta, os autores usam a estrutura do famoso argumento de Church-Fitch, conhecido como paradoxo da conhecibilidade, para mostrar que a mera possibilidade de não termos escolha sobre alguma proposição verdadeira (fatalismo fraco) colapsa na certeza de que tudo já está fixado (fatalismo). Ao mostrar a inconsistência do fatalismo fraco com o livre-arbítrio, os autores defendem terem demonstrado logicamente que não teríamos escolha sobre nossas ações. Em que pese assumir a validade lógica do argumento apresentado por Lampert e Merlussi dentro dos sistemas padrão de lógica modal, defenderei que o argumento falha em “traduzir” a nossa intuição sobre a agência e o livre-arbítrio. Para isso, me apoiarei nas considerações de Jenkins (2009), segundo as quais a lógica modal padrão não “traduz” propriedades humanas, e o fatalismo fraco distorce a forma como opera a agência humana ao disfarçar-se de alegação universal. Por fim, pretendo mostrar que a utilização do argumento de Church-Fitch na discussão sobre livre-arbítrio para defender o fatalismo pode ser bloqueada por uma solução inspirada na estratégia de reinterpretação que Fara (2010) oferece para resolver o paradoxo original na epistemologia. O colapso lógico é impedido ao substituir o operador de possibilidade modal padrão (◇) por um operador de capacidade (C), bloqueando, assim, o argumento fatalista.





