O Departamento de Filosofia da PUC-Rio convida a todas e todos para a Oficina Leme (em alternância com o Seminário LEME): “Como o Livre-Arbítrio Colapsa com o Paradoxo da Conhecibilidade”, que será realizada por Pedro Merlussi (PUC-Rio).
Data e horário: 27 de agosto de 2026, quinta-feira, às 15h
Local: Sala L538, 5º andar do prédio Leme, PUC-Rio
Resumo: O paradoxo da conhecibilidade (Church-Fitch), descoberto por Church num parecer de 1945 e mais tarde publicado por Fitch, mostra que, a partir da premissa aparentemente inofensiva de que toda a verdade é conhecível — a tese antirrealista segundo a qual não há verdades em princípio inacessíveis à mente —, segue-se logicamente a conclusão absurda de que toda a verdade é, de fato, conhecida. O paradoxo opera através de uma instância autorreferencial: aplicada à conjunção “p e ninguém sabe que p”, a premissa da conhecibilidade gera uma contradição, e força o colapso da tese antirrealista na tese da onisciência.
Apresento um argumento estruturalmente análogo, mas dirigido não ao conhecimento, e sim ao livre-arbítrio. Usando o operador “sem escolha” N — central na literatura sobre o Argumento da Consequência de van Inwagen —, mostro que uma premissa igualmente modesta, a que chamo Fatalismo-Fraco (a tese de que toda verdade poderia ter sido tal que ninguém tivesse escolha sobre ela), colapsa, por meios puramente lógicos, na tese muito mais forte do Fatalismo (a tese de que ninguém tem escolha sobre nenhuma verdade). O argumento não pressupõe determinismo, indeterminismo, nem presciência divina; depende apenas de princípios modais básicos que regem o operador N.
Discutirei ainda a proveniência histórica desse paralelismo — observado de passagem por Fara (2010), mas até agora pouco explorado na literatura sobre livre-arbítrio —, e mostrarei que vários dos princípios cruciais ao argumento (nomeadamente, Conjunção e Fechamento) já são aceitos, ou estão implicitamente pressupostos, por incompatibilistas de diferentes tradições. O argumento sugere, assim, que a defesa do livre-arbítrio exige rejeitar precisamente aquela premissa — Fatalismo-Fraco — que, à primeira vista, parece a mais inócua de todas.
Não perca!





